30.11.07

Samba - patrimônio cultural brasileiro

Tudo muito legal, tudo muito bonito e merecido - mas, sei lá, isto não há de ser bom sinal... Se eu fosse o pessoal da Vila [foto], só por precaução, bem botava as barbas de molho...

(Outra coisa: era pr´o presidente Lula beijar o pavilhão da escola - ou pra limpar o rosto)?

26.11.07

Paulinho da Viola

"(...) A escola de samba tem uma importância enorme para milhares de pessoas, por isso a gente precisa ter o maior cuidado com o que diz. Escola de samba é uma coisa muito importante. Se eu não concordo com algumas coisas que acontecem lá dentro, isso é outro problema. Ela envolve a vida de muita gente, e eu não posso fazer observações aleatórias ou com descaso. A escola está viva (...)." [Paulinho da Viola - à Playboy de novembro de 2007].

22.11.07

O olhar

"Como na guerra, praticava-se o fogo de barragem, sem olhar a desperdícios, o importante sendo manter o inimigo à distância". [Ciro dos Anjos; A menina do sobrado].

19.11.07

Comigo ninguém pode - versão 2008


Esta é fantasia ["É de trampolim"] com a qual, sob a imponente Coroa Imperial, desfilará a ala tribuneira, a gloriosa Comigo ninguém pode [do estelar passista imperiano Felipe Moura Brasil, o Pim], no próximo carnaval.

Quem quiser, é só chegar!

Nota de rodapé: créditos fotográficos e agradecimentos para o casal F. e Marcelo Moutinho.

14.11.07

Solidariedade é isso...


Leia sobre a nudez beneficente na crônica "Nu com a mão no bolso" em http://www.tribuneiros.com/.

13.11.07

Capoeira Angola - homenagem a Felipe Bezerra

"A capoeira é mandinga, é manha, é malícia, é tudo o que a boca come" - Mestre Pastinha [1889 - 13/11/1981].

(Foto de Pierre Verger).

O raio do piano

Farei agora algo que jamais fiz: indicarei um livro qu´ainda não terminei de ler - e que não é ficção e tampouco reportagem... Mas é qu´este delicioso Alucinações musicais - relatos sobre a música e o cérebro, do psiquiatra inglês Oliver Sacks [Companhia das Letras], impõe-se como exceção, estudo ao mesmo tempo clínico e apaixonado [espiritual?] de casos raríssimos da mente humana, descritos sob prosa escorreita para leitura de quem, como eu, não sabe discernir lobo temporal de lobo das montanhas...

São relatos fabulosos, surpreendentes - de nos mostrar as infinitas possibilidades do cérebro, com ou sem distúrbios previamente identificados, e de como a música pode estimulá-lo a estados emocionais até então insuspeitados, ou ainda evocar memórias antes dadas por perdidas.

Um exemplo notável, talvez o mais pertubador do livro: o sujeito adulto - muito pouco musical, definição própria - que, vítima de um raio, desenvolve compulsão por música de piano e se torna ele mesmo talentoso pianista.

Imperdível, leitor.

12.11.07

Agogô imperiano na Alemanha

E que tal o nosso genial Mestre Átila, em Berlim, dando uma canja no agogô?

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Errata: Arlindo Cruz declarou, questionado por mim em entrevista coletiva na semana passada, qu´o Império do Futuro - escola mirim do Império Serrano - não desfilava há três anos, informação que nos foi negada pelos imperianos Henrique Hoffmann e Francisco Fernandes, segundo os quais a escolinha tem desfilado regularmente.

Melhor assim!

8.11.07

Império Serrano, universal [3]

Eles, eu apostaria, são franceses, mas cantam e tocam [cantam mais que tocam, a bem da verdade] com honestidade o clássico samba-enredo com o qual o Império Serrano desfilou em 1977, "Brasil, berço dos imigrantes", dos grandes Roberto Ribeiro e Jorge Lucas...

Avante, imperianos!

O meu Império outra vez...












Eu me sei bem suspeito, mas achei deslumbrante a gravação oficial para o samba-enredo do Império Serrano de 2008 - cuja primeira passagem, e apenas ela, o leitor pode escutar, já à voz de Gonzaguinha, no bom site Carnavalesco, especificamente aqui.

Em relação à versão anterior, feita para as eliminatórias da escola, gostei do tom mais alto no refrão principal, qu´antes caía e qu´agora é auge para uma melodia que nunca deixa de crescer.

Um elogio, por fim, aos produtores [Leonardo Bessa, mormente] do disco do Grupo de Acesso: bem ao contrário da forma pasteurizada do CD do Grupo Especial, que sempre [sem exceções] sub-aproveita os sambas das escolas, neste trabalho se respeita e valoriza as tradições, estilos e qualidades de cada uma, daí porque me tenha especialmente emocionado ao ouvir um grupo de ritmistas empenhado em reproduzir, na medida do possível, o som peculiar da bateria do Império Serrano, com os agogôs não como mero gracejo d´introdução e bossa, mas como parte e caráter do conjunto, assim como o surdo de terceira, de corte, ao fundo, tão próprio à escola, instigando as caixas imperianas e preenchendo os espaços... Uma beleza!

Não?

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Tomei conhecimento ontem, para minha surpresa - e vou apurar: o Império do Futuro, escola mirim do Império Serrano, não desfila há três anos, por falta de recursos, presume-se, o que é, mais que lamentável, inadmissível, isto porque se sabe qu´entre as escolas mirins não há rebaixamento e qu´elas servem, para além do efeito lúdico imprescindível a uma infância saudável, à formação de novos compositores, intérpretes, ritmistas, passistas, mestres-sala e portas-bandeiras etc., algo de que o Império Serrano, financeiramente falido e a cada ano mais necessitado de puxar pela prata da casa, não pode abrir mão.

A questão é: quem se responsabiliza por isto e, mais importante, quem se responsabilizará?

5.11.07

Contra o carnaval

Na hora H, tenho certeza, a cousa vai se desenrolar - mas é violentamente inaceitável que sequer se avente a possibilidade d´o Cordão do Bola Preta não desfilar no próximo carnaval, quanto mais no ano em que completará noventa anos.

É sabido qu´o bloco deve algo em torno de um milhão de reais - e não estou aqui para ignorar a dívida ou propor que se a desconsidere... Não. Mas para exigir, sem favor, qu´os credores - a prefeitura e o governo do estado - admitam negociar e se empenhem, em nome desta já tão vilipendiada cidade, numa forma alternativa viável para o pagamento do montante, a respeito do que o Bola Preta, na figura de seu presidente, Sr. Pedro Ernesto Marinho, quer tratar, o que fica evidente no pedido d´audiência, em caráter d´urgência, com os excelentíssimos viajantes Cesar Maia e Sergio Cabral Filho, a qu´ambos, até agora, não atenderam.

Em tempo: no último sábado de carnaval, o Cordão do Bola Preta reuniu cerca de quatrocentas mil pessoas no Centro da cidade - e mais não escrevo.

31.10.07

Copa de 2014 no Brasil - quem garante?

O teatro que se encenou ontem em Zurique não terá resenha de valor algum acaso o Brasil não se transforme já num país sério, com capacidade de cumprir metas e prazos inadiáveis, com poder d´investimento - e investimento planejado, bem entendido -, do qual se preste contas qual exige a decência, mormente quando se sabe qu´evento de tal magnitude, não importa onde, jamais foi erguido sem recursos públicos, daí porque também se torne obrigatório que, ao cabo da festa esportiva, às cidades-sede sejam legados avanços estruturais de melhorar a vida da população.

Ao Rio de Janeiro, para além da farra pontual, de nada valerá a Copa do Mundo se não houver, por exemplo, metrô - de preço acessível - até a Barra da Tijuca, se não se empreender um programa honesto e efetivo de despoluição da Guanabara, e se a política de segurança pública não se impuser, sob inteligência mais que propaganda, em médio e longo prazos, a despeito de governantes vaidosos e cidadãos egoístas.

Tudo, projetados sete anos adiante, é incerto, e se me perguntarem do que estou absolutamente seguro para então, havendo ou não Copa no Brasil, responderei: Ricardo Teixeira será presidente da CBF.

Ou seja: nada a comemorar - por ora.

30.10.07

Se a Argentina pode...

Dona Marisa Letícia, presidente do Brasil - eu acredito!

29.10.07

Gonzaguinha - a voz do Império Serrano para 2008

Com bela voz grave, Gonzaguinha, prata da casa, é um intéprete simples, sem firulas ou vícios, que não faz lobby, que gosta e valoriza a escola, e que, grato, saberá retribuir ao Império a confiança - o microfone que já foi de Roberto Ribeiro! - nele investida.

Que assim seja!

25.10.07

Notícia para um náufrago que, de repente, voltasse à civilização...




Otimistas, arqueólogos cariocas afirmam qu´escavações já em curso [vide fotos] podem descobrir, em pleno século XXI, o fóssil de políticos marqueteiros [alcaides, mormente] e de planos urbanísticos falaciosos, soterrados durante imensa e incontrolável tempestade que sobre a cidade se abateu, estimam, na primeira metade do século XVII, quando o então jovem Rio de Janeiro não possuía ainda estrutura que suportasse fortes chuvas...

23.10.07

Ê, meu amigo Charlie...

O cabeçudinho inglês Charlie Thomas, de 3 anos, foi imitar o Harry Potter colocando um cone de trânsito na cabeça para se sentir o mago, e acabou precisando de três (!) bombeiros para tirar.

Eu sei como é, Charlie, eu sei como é...

Império Serrano é samba!

O Império já tem samba-enredo para 2008.

Em decisão [incontestável] anunciada quase às seis da manhã, após a apresentação de quatro finalistas, o de Arlindo Cruz e Aluízio Machado entre eles, venceram os compositores da Serrinha - Marcão, Marcelo Ramos, Vando Diniz, Chupeta, Henrique Hoffmann, William Black, Celso Ribeiro e Zé Paulo.

Acima, o vídeo da [candente] passagem vitoriosa, que fez a quadra inteira [lotada numa madrugada de segunda para terça-feira!] cantar junto.

Quem, como eu, tinha ainda dúvidas sobre qual seria o melhor, àquela altura estava já certo de que a escola fechara natural e sabiamente com o samba ganhador - raçudo como deve ser sempre o samba do Império Serrano.

Uma belíssima noite imperiana em Madureira - prenúncio do grande carnaval que faremos.

A letra:

LUZ, DIVINA LUZ
EU QUERO OUVIR O SEU CANTAR
IMPÉRIO SERRANO É SAMBA,
É CARMEN MIRANDA, É POPULAR
PEQUENA NOTÁVEL, DE TI EU SOU FÃ
OH! DEUSA DO BALANGANDÃ
NA IMENSIDÃO DE UM SONHO
VIAJEI NA FANTASIA
NO RÁDIO, NO CINEMA, NOS CASSINOS DEU UM SHOW
A FINA FLOR DA BOEMIA

NO TABULEIRO DA BAIANA TEM?
TEM REQUEBRADO, TEM QUITUTE, TEM AMOR
E NESTA FESTA VOU SAMBAR TAMBÉM
COM PANDEIROS TAMBORINS E AGOGÔS

SUA VOZ ECOA PELO AR
AO SOM DE LINDAS MARCHINHAS
SEU NOME ATRAVESSOU FRONTEIRAS
UM BUQUÊ DE POESIAS
SE INTERNACIONALIZOU, SAMBA IOIÔ
FEZ O TIO SAM SAMBAR, SAMBA IAIÁ
ESTRELA QUE BRILHA, TU ÉS MARAVILHA
NUM LINDO CÉU AZUL ANIL
A PORTUGUESINHA QUE VIROU RAINHA
ORGULHO DESTE MEU BRASIL

MEU IMPÉRIO OUTRA VEZ
VEM NO BALANÇO DO SEU CORAÇÃO
EU SOU VERDE-E-BRANCO COM MUITO ORGULHO
SOU EMOÇÃO

18.10.07

A Xuxa também já foi melhor...

Confira lá no elegante blogue da Reserva (decore, leitor: http://comumbotaoamais.blogspot.com/) o quão saidinha era a Rainha dos Baixinhos, no Clube da Criança, da Rede Manchete.

Ele também é (era) o cara...

Steven Seagal, senhoras e senhores! O maior samurai de todos os tempos - no tempo em que ele não era um guitarrista obeso...

Império no sangue

Eu vou pedir ao leitor tribuneiro que, clicando aqui, leia, por favor, o texto qu´o escritor Marcelo Moutinho, grande imperiano, escreveu em seu site. Tem, ao mesmo tempo, tudo e nada a ver com escola de samba...

O leitor entenderá. E me agradecerá pela sugestão.

17.10.07

Ele é o cara...

Lançamento nos EUA: 25 de janeiro de 2008.

A caravana tribuneira já está de malas prontas...

Sugestão de [muito boa] leitura internética

O leitor tribuneiro, d´altíssimo gosto comprovado, não se decepcionará em conhecer o blogue da poderosa grife Reserva, Um botão a mais, garbosamente editado por mim e pelo compadre Pim, com conteúdo gerado também pelos jornalistas Guilherme Gentil [Paris], Ricardo Solimões [Nova York] e Juan "Danado" Nuñez [Madri].

(Uma baita equipe)!

A proposta, ver-se-á, é diferente desta de cá - mas não menos bacana, estou certo - e toma já parte em vultoso projeto tribuneiro a ser, em breve, divulgado. (Aguardem, aguardem)...

O leitor, por favor, fique à vontade para, como faz aqui, comentar, criticar, elogiar e, sobretudo, esculhambar. Muito nos honrará!

http://www.comumbotaoamais.blogspot.com/

16.10.07

Ode ao medíocre

Dunga na calçada da fama do Maracanã... E o Obina?

Dirija ereto


E você ainda corre nas estradas? Leia a bem-humorada crônica "Dirija ereto", de Felipe Moura Brasil, em http://www.tribuneiros.com/.


15.10.07

Rachel de Queiroz e o pecado da carne

Maré baixa, de Rachel de Queiroz, publicada na revista O Cruzeiro de 5 de dezembro de 1973:

Se a carne é a fraca e o espírito o forte, evidentemente a carne cansou. Essa história de pornô, que parecia uma onda avassaladora a devorar a civilização cristã, já entra bem na maré baixa, principalmente onde parecia ter os seus focos mais eruptivos. Na Dinamarca, que por algum tempo foi a capital universal da pornografia com praticamente todo um bairro de Copenhague dedicado à especialidade - lojas, cinemas, night-clubs, teatros, livrarias e bordéis -, lá, o comércio pornográfico entrou em tal recesso que a maioria dos estabelecimentos fechou portas ou se dedicou a outros ramos, porque a exploração dos chamados baixos instintos do homem não estava mais compensando. É o que contam os turistas.

Na literatura, no cinema, já se esboça uma reação – ou antes, uma retração; porque a permissividade não é geralmente combatida. Ela se insinua, é aceita, penetra – há um momento em que parece que vai tomar conta de tudo -, mas nesse auge começa a cansar e acaba naquela grande fadiga e nojo.

Aos poucos, parece, tudo irá voltando às proporções de antes. Ou talvez não volte nada ao que era antes; muitos tabus foram quebrados, muitas liberdades conquistadas. Mas sobre tudo isso há de pairar uma nova inocência, fora daquele frenesi malsão que acabara por dividir as populações afetadas em dois grupos cooperativos: uma metade de exibicionistas e a outra metade de voyeurs. Uns se desmandando, os outros vendo e aplaudindo.

A verdade verdadeira é que o pecado da carne é o mais raso e mais pobre de todos os pecados. A inocente colegial dos tempos de dantes ouvia falar veladamente nos abismos do “mundo” e imaginava com temor e curiosidade que abismos seriam esses, que prazeres, que delírios suas profundidades esconderiam. Mas, chegada a idade adulta e a experiência, descobre que afinal o pecado da carne está muito mais na imaginação do que na carne propriamente; que, esvaziado das ilusões do amor, é monótono, fatigante, mecânico. As invenções delirantes do Marquês de Sade não passam mesmo de invenções e delírios de maluco. Na realidade não existem, são meras lucubrações de paranóia, impraticáveis. A louca mocidade de Santo Agostinho, à luz do que se vai sabendo, quão louca seria? E, mormente, parece que é esta a grande descoberta post-onda: ao contrário do que se suponha e se pregava, a gratificação trazida pela carne é muito pouca e muito curta. Sexo (que no final de contas toda essa mitologia se reduz apenasmente a sexo), sexo é uma função do corpo, como o comer e o respirar, e dela se pode tirar muito pouca coisa, além da sua destinação específica. Quer dizer que a mais desvairada das Messalinas, com todos os seus delírios, talvez não tire do sexo nada mais do que dele recebe uma honesta mãe de família, bem casada, bem comportada, bem amada.

Sendo assim, então, para que armar pelo mundo toda a imensa máquina da pornô, comercializada e industrializada? É o que o mundo vai descobrindo.


(Ilustração: O pecado original, de Gustave Doré, 1832-83).

Não, a Copa do Mundo não começou ontem

Empatada a pior partida de futebol de todos os tempos, será [!?] qu´alguém capaz de se comunicar na língua dos senhores Dunga e Galvão Bueno poderia lhes informar que Maicon e Vagner Love não podem jogar no escrete, qu´a seleção da Colômbia não é a da França, que Bogotá não é Frankfurt e que, por favor, eliminatória não é Copa do Mundo.

Obrigado.

13.10.07

Bogart, Wayne, McQueen e...


Paulo Autran
1922-2007

...este, pelo menos, não fez tanta propaganda daquilo que o matou.

"Eu gostaria que ficasse claro que ele morreu porque fumava." (Karin Rodrigues, viúva de Paulo Autran).

"A partir da década de 40, sobretudo, uma indústria (tabagista) viu na outra (cinematográfica) a oportunidade de crescimento, e juntas fizeram uma porção de criancinhas do planeta fumarem. John Garfield, James Dean, Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, John Wayne, Clint Eastwood, Steve McQueen e, mais tarde, Sharon Stone – sem contar uma porção de James Bond - contribuíram decisivamente para tornar as Katmandus ainda piores. De nada adiantou que Bogart, Wayne e McQueen morressem de câncer de pulmão. Suas tragadas, claro, sempre foram mais famosas que as causas de suas mortes". [Felipe Moura Brasil; Katmandu, 13/07/2007 - leia a crônica completa em http://www.tribuneiros.com/].