
Eu me sei bem suspeito, mas achei deslumbrante a gravação oficial para o samba-enredo do Império Serrano de 2008 - cuja primeira passagem, e apenas ela, o leitor pode escutar, já à voz de Gonzaguinha, no bom site
Carnavalesco, especificamente
aqui.
Em relação à versão anterior, feita para as eliminatórias da escola, gostei do tom mais alto no refrão principal, qu´antes caía e qu´agora é auge para uma melodia que nunca deixa de crescer.
Um elogio, por fim, aos produtores [Leonardo Bessa, mormente] do disco do Grupo de Acesso: bem ao contrário da forma pasteurizada do CD do Grupo Especial, que sempre [sem exceções] sub-aproveita os sambas das escolas, neste trabalho se respeita e valoriza as tradições, estilos e qualidades de cada uma, daí porque me tenha especialmente emocionado ao ouvir um grupo de ritmistas empenhado em reproduzir, na medida do possível, o som peculiar da bateria do Império Serrano, com os agogôs não como mero gracejo d´introdução e bossa, mas como parte e caráter do conjunto, assim como o surdo de terceira, de corte, ao fundo, tão próprio à escola, instigando as caixas imperianas e preenchendo os espaços... Uma beleza!
Não?
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Tomei conhecimento ontem, para minha surpresa - e vou apurar: o Império do Futuro, escola mirim do Império Serrano, não desfila há três anos, por falta de recursos, presume-se, o que é, mais que lamentável, inadmissível, isto porque se sabe qu´entre as escolas mirins não há rebaixamento e qu´elas servem, para além do efeito lúdico imprescindível a uma infância saudável, à formação de novos compositores, intérpretes, ritmistas, passistas, mestres-sala e portas-bandeiras etc., algo de que o Império Serrano, financeiramente falido e a cada ano mais necessitado de puxar pela prata da casa, não pode abrir mão.
A questão é: quem se responsabiliza por isto e, mais importante, quem se responsabilizará?